13.10.10

A tua facilidade para a influência fez com que te sentasses em cima das tuas razões, razões essas que te traziam seguranças. Teimaste em estar certa mesmo quando estavas perdida, rindo das confusões. Não foste sábia em cada decisão, não racionalizaste os teus sentimentos, as tuas prioridades, os teus amores. Tomaste a liberdade de ser pouco livre e de viver condicionada ao que te era conhecido. Deixaste de procurar desafios, novas aventuras, nem o que a natureza te podia oferecer desfrutaste. Estavas rodeada daquilo que conheces, do conforto que as pessoas te faziam sentir segura. Sentaste-te à espera que o caminho ganhasse contornos definidos para poderes avançar, mas todo o tempo estagnaste e permaneceste no conforto que ias recebendo. Mantinhas a tua nova habitual calma no teu rosto marcado de rudez e de certezas erradas, a típica aparência daquilo que te tornaste aos poucos durante a minha ausência, quando tomaste a decisão de deixares de ser tu.
Quando passava por ti, e vias-me, via-te a tremer, via o teu mundo a tremer. E hoje, sei que abalei as tuas certezas. Hoje abandonas-te as tuas razões, hoje correste depressa de mais, hoje apreciaste a natureza, hoje arriscaste, hoje procuraste desafios, hoje voltaste a ser tu sem grande esforço. Hoje ajudei-te a ir em busca de algo que te devolva o teu eu, a tua vida. Hoje desamarrei-te e levei-te comigo, hoje mostrei-te um mundo cheios de tantas outras coisas, hoje foste tu a todo o momento. O teu verdadeiro eu é o traço mais forte da minha personalidade.


o meu relógio de bolso.

mafalda oliveira.