Tão efémeras as cumplicidades radiosas. Encontros de ideias, atmosferas, flutuando como nuvens para o paraíso do esquecimento. Acreditava que o sentido da vida estava nesses encontros, e confronto-me agora com a falta que me fazes. Tu roubavas-me o sentido, a incessante obsessão pelo pensar. Viciei-me nesse roubo. Nós nunca fomos cúmplices, sabiamos demasiado um do outro. Dedicavamo-nos a combater o pensamento um do outro para chegarmos à névoa humana. Traíste-me, traíste-me inúmeras vezes e nunca chegaste a toca a fímbria da traição. Diziam que eu te perdoava tudo. Como se iludiam. Nunca tive nada para te perdoar, vejo-o agora, com uma nitidez possível.