14.11.10

Um dia vou falar sobre mim e repugnar-me com tamanha fraqueza que o meu corpo envolve em cada fissura. Um dia vou falar sobre tudo o que recusei dar a minha própria.
Tu, sombriamente, amavas o que eu não dava. Gostavas de me ver falhar, e não era por vaidade ou piedade, como geralmente acontece entre as pessoas. O meu lado medíocre não te excitava os melhores instintos. Amavas simplesmente a minha terra. É esse amor que agora me falta, o sujo, quotidiano amor dos momentos maus, das frases adversas, das ausências.
Sou um ser falhado por natureza. E isso nem a arte pode curar.