20.12.10

Querida Verónika. número-dois.










Fiquei tão radiante quando li o teu e-mail. Paralisei, não consigo descrever a emoção que conseguiste depositar em mim com um pouco das tuas palavras, não muitas devido à tua dislexia.
Também sou dislexica. Tu sabes. Engasgo-me tanto nas minhas palavras quando falo, tenho que pensar bem primeiro para sair um discurso coerente. Mas a escrever, escrevo com toda a emoção patente em mim, com todo o amor que tenho por todas as poucas pessoas que amo, por todas as coisas que amo neste mundo, demasiadas são as coisas que quero, que amo e que tenho. Tenho tudo. Tenho-te a ti, a tua incansável amizade durante anos, perdida por vezes no meio de confusões com que nos debatemos e que temos de lidar com elas, sem culpa, como disseste.
Dizes pouca coisa. Em ti, há a imensa frieza de ser, devido a todas as desilusõs que já sofreste. Compreendo. Como nos poderemos voltar a entregar a nossa pessoa a outrém? A mim, sempre te entregaste. Por inteiro. Conheço-te demasiado bem, não pricisas de dizer tudo e, por vezes, nada. Afinal, sou pessoa de pessoas. Disseste-me isto à muitos anos atrás e nunca me esquecera.
Ao invés de mim, amas pouco as pessoas, não tanto como eu, nem te dás a toda a gente. Mas as poucas que amas, amas com o amor incondicional e acabas por sair quase sempre magoada. Espero que nunca te tenha magoado; talvez as vezes que me ausentei serviram para a tua dor, mas garanto-te que não tinha a intenção de te ver sofrer, muito menos de te ver partir.
O teu irmão dizia que eu era um coração-de-manteiga. Ajudo todos, as minhas prioridades sempre foram os outros, mas nunca saí tão magoada como tu por vezes saís. Dói. Mas faço sempre com que seja transparente.
O teu irmão, hoje, é transparente.
Fui à janela fumar o meu último cigarro de hoje. Não senti o frio da noite triste; tenho o coração demasiado quente. Aqueceste toda a decadência que há em mim, com poucas palavras e com o nosso futuro próximo do amanhã.
Sabes bem o quão o Verão repugna-me. Estou sempre a dizê-lo... O meu corpo não sabe lidar com as temperaturas altas que essa estação do ano oferece, os meus pés não sabem lidar com os infinitos grãos de areia da praia, nem sei lidar com a água gélida e salgada do mar que me faz arder os olhos. Incomoda-me tanto todo aquele ardor; a visão é o melhor que em mim tenho. Se um dia a perder, não serei ninguém.
Mas, sem qualquer tipo de hipócrisia, este Verão, foi um dos melhores qu já tivera ao longo de 17 Primaveiras, Outonos, Invernos e... Verões. Tenho saudades de todas as constantes horas ao teu lado, na tua doce e acolhedora casa; paredes rosa-creme dessa tua sala como algodão doce que conta todas as nossas histórias e planos para o futuro.
Tantos planos, bem acessos na minha memória vivida. Quero-os todos, aguardo-os com um tanto de desespero: prometo-te que quando chegarem, serão tão perfeitos como a tua doce personalidade.
ADmiro tudo o que há em ti; é tudo tão bom, humilde e leal. Se alcanei tanto na vida, se sou o que sou hoje, posso agradecer a ti e a essa imensa paciência, admiração e confiança que depositas em mim.
Somos mais do que duas pessoas qu já andaram de mão dada por tantas ruas: para mim, és mais do que uma amiga. És a irmã que eu jamais tivera.
Quero o amanhã. Hoje, agora. Quero-o com todas as forças do querer. Afinal, quero tudo quando quero. Nem um minuto a menos.