Tantas vezes tentei inspirar o ar tóxico que me rodeia e nem sequer tinha a capacidade de respirar coerentemente. Tantas noites de insónias e lapsos de memória, fazendo a árdua contagem da infinidade de minutos ouvindo lentamente o barulho incessante da queda da chuva. Foi o silêncio da minha cabeça, efémero e intenso criando tantas contradições entre o tempo que definiu por completo a minha miséria e infâmia total. Precisei eu, quantas vezes, de morrer de cansaço para provar que estava realmente cansada! Precisei eu, de estar cansada, extremamente cansada, para abdicar de tudo o que tinha, tudo que era nada, para conseguir o real alcance de tudo o que sempre quis, sonhei e de tudo o que realmente sou. Perdi o que tinha. Sendo nada aquilo que tinha, perdi apenas a transparência e o cansaço de mim própria. Estou de volta. Sinto-me inteiramente de volta.